“Com dois álbuns (O Hábito da Força e Rádio Lixão) de grande impacto no meio musical, a banda Filarmônica de Pasárgada recupera uma atitude estética que parecia circunscrita aos poucos experimentalismos que atingiram a música pop dos anos 1960 aos 1980. Atuando sempre no campo da canção, Marcelo Segreto, o principal compositor da banda, demonstra grande intimidade com a história da música brasileira (o que se percebe pelas numerosas citações, homenagens e ironias espalhadas pelo repertório dos discos) e, ao mesmo tempo, total energia para criar novos ambientes sonoros que envolvem as composições com uma espécie de sabor de futuro. É o próprio Marcelo quem escreve os arranjos para instrumentos, muitas vezes alterados eletronicamente, mas também para clarinete, fagote, trombone, percussão de toda ordem e diversos tipos de vozes e coros. Na busca desses timbres inesperados e na maneira de digerir as modas e os comportamentos sociais transformando-os em obras cancionais, o compositor não poderia deixar de flertar com o papa desse gênero de experimento musical: Tom Zé (uma das canções do segundo álbum chama-se justamente “Estudando Tom Zé”). A participação vocal do grande artista baiano no segundo álbum da Filarmônica tem um significado muito especial na história da produção inventiva que, de tempo em tempo, revigora o universo da canção brasileira. Tom Zé capta uma das vertentes de continuidade do seu som, enquanto Marcelo Segreto encontra um respaldo de peso para alçar seu voo estético. Contrariando a expectativa gerada pelas criações mais audaciosas, a banda Filarmônica de Pasárgada junta, com naturalidade, inovação e entretenimento, já empolgando um grande número de seguidores on-line e ao vivo.”

Luiz Tatit
Cantor e compositor

 

“Dei alguns esboços de canções a Marcelo Segreto, que trabalhou sobre eles e me respondeu com resultados – quer dizer: com frases musicais que se aguentavam sobre os próprios pés, podendo ser cantadas e repetidas. Ouvindo depois seu novo disco, mesmo apesar de minha expectativa positiva, de vez em quando saltava de um trecho uma faísca, um relâmpago – pra dizer a verdade, uma ideia que dava inveja. Ezra Pound disse que quando um país deixa de escrever bem é sinal de que, dentro de alguns anos, não será mais capaz de governar-se. Em trabalho recente sobre a história da civilização brasileira, o King’s College da London University afirmou que a canção tem um peso muito forte em nossa cultura. Assim sendo, se contamos com uma juventude tão dotada, podemos dizer que o Brasil terá um futuro promissor, quanto à governabilidade.”

Tom Zé
Cantor e compositor

 

“Quando vieram ao estúdio gravar, de cara percebi que era algo muito especial. Pertencentes a uma linhagem peculiar na música do Brasil, mesclando ingredientes muito nobres onde eu, muito pessoalmente, identifico notas frutadas de Edu Lobo, Chico, João Bosco/Aldir Blanc, Caetano, Itamar, Arrigo, Tatit/Rumo, Premê, e tons adamascados de Pixinguinha, João da Baiana, Moreira da Silva, Adoniran, Paulo Vanzolini e muitos, muitos outros misteriosos clássicos ancestrais, salteados com essências moderníssimas do jazz, rock, pop, progressivo, fusion, conseguiram impactar a todos, sumariamente. Trabalhando com o rigor de excelentes partituras (noblesse oblige), coaching vocal impecável, com letras desconcertantemente geniais, já no primeiro lançamento se transformam em sucesso absoluto e unanimidade entre os pensantes e apreciadores da famosa “linha evolutiva”. Um “must”, imperdível.”

Guilherme Arantes
Cantor e compositor

 

“Cada composição tem características distintas, específicas, sendo que todas elas entrelaçam palavras e sons de maneira cativante, inteligente e, acima de tudo, de maneira não previsível. Isso indica uma fonte generosa e abundante de criação. Com alegria, saúdo a chegada de uma proposta musical particularmente rica, que interage criativamente com a “Tradição” na Música Popular Brasileira, com elaborações musicais sempre motivadas por um olhar instigante, de viés antropofágico, de caráter contemporâneo. Ou seja, temos aqui o frescor e o colorido de flores novas, introduzindo renovada e desejada primavera na canção paulistana e brasileira!”

Gil Jardim
Diretor artístico e regente titular da Orquestra de Câmara da USP (OCAM)

 

“Ouvir o grupo Filarmônica de Pasárgada nos dá a certeza de que jovens músicos deste nosso Brasil continuam renovando a nossa música popular. A partir das composições do talentoso Marcelo Segreto o grupo desenha arranjos belíssimos, nesta interessante formação de piano, acordeon, violão, contrabaixo, fagote, flauta, trombone, percussão e vozes. Aos jovens da Filarmônica de Pasárgada desejo sucesso e já, ansioso, aguardo o CD que breve deverá ser gravado.”

Ivan Vilela
Violeiro, compositor e pesquisador

 

“Compositor inspirado e poeta sensível às transpirações do mundo vivo e dissimulado, Marcelo vai além de um envolvimento meramente musical. Suas construções melódicas são econômicas e transparentes, no entanto, equilibram-se na lâmina das tensões harmônicas e põem tudo sobre o chão de veemente teatralidade. Os ritmos e os arranjos de apreciável bom gosto sugerem cenas de mini-óperas populares de grande impacto sobre o palco, mas nada perdendo se ouvidas num CD. Os jogos de sentido e o tempero das palavras nascem de requintada intelectualidade e os recados têm mira certa. Nada é corriqueiro, mas à mão. Como Chico Buarque, o segreto de Marcelo tem origem nos meios universitários. Merecedores das melhores atenções, Marcelo Segreto e a Filarmônica de Pasárgada – ‘Prêmio Nascente’ da Universidade de São Paulo, entre outros aplausos – preparam-se para novos e mais ousados passos na carreira, sinceramente aguardados pelo público que conquistaram. Os investimentos nestes talentos representam lucro assegurado no futuro. Recomendo-os, pois.”

Aylton Escobar
Compositor, regente e membro da Academia Brasileira de Música